terça-feira, 30 de março de 2010

Repetição

Ele ainda me encarava com olhos queimando de fúria descontrolada, eu queria fugir, correr, por que ela não me salvava? Por que ninguém me salvava? A pergunta que simplesmente não saia da minha cabeça. Minha visão turva pelas lágrimas que ainda estavam nos olhos. Não chore, eu dizia a mim mesma, você não chora. Não desta vez, Não na frente dele. Mais era em vão, como todas ás vezes. Um grito de desespero saiu por meu lábios sem nem mesmo aviso prévio. Isso só pareceu enfurecê-lo mais. Deu uma passo na minha direção subindo a boca, e expondo um pouco os dentes amarelados. Como ele podia ser tão assustador? Não é suficiente eu ainda amá-lo quando seu rosto sorridente e amigável vem a minha mente. Me fez sorrir com ternura. Olhei pra o homem irreconhecível a minha frente com os punhos fechados e os olhos serrados.
E sorri, como se ainda tivesse com o mesmo homem agradável dos lindos olhos castanhos, que estive esta manhã, sorri porque ainda o amava, sorri porque tinha esperança dele se lembrar que também o sentia por mim. Seu olhos parecera quase torturados. Será que funcionária? – O que é tão engraçado? Ele cuspiu entre os dentes, parecia mais furioso, devia ter imaginado que eu estava ironizando sua agonia, como ele sempre pensa. Por que ele não se lembra? Te tudo que ele diz sempre quando as crises acabam. Não vai mais acontecer, me perdoe, não sou eu, não queria que isso acontecesse. Eu sei, eu sei. Agora ele já esta perto, muito perto. Como não o vi chegando? Passa um das mão grande e grossas envolta de minha garganta. De novo. Não posso mais, tenho que fugir, Por que ela não está aqui? Há ela nunca está, por que eu ainda penso que ela voltará? Que ela um dia virá me salvar. Ou lembrar -se de mim. A dor aguda em meu pescoço me tira da lembrança turva da mulher que sempre reside em meus sonhos. Voltando a realidade eu reajo o tentando afastar, grito de novo. Não sei como os vizinhos nunca vieram ajudar, talvez eles não liguem também. Que surpreendente. Ele me soltou finalmente – Cala a boca – Ele gritou. Não sem de onde veio, mais senti seu punho em meu rosto, cai. Cai por que não queria mais lutar, cai porque queria que ele visse que venceu, cai porque não queria mais velo. Sinto a umidade na minha boca, e o gosto salgado do sangue. Fechei os olhos. Não ouvi som algum, não me mexi. Talvez ele pensasse que tinha me matado dessa vez. Talvez ele sentisse remorso. Talvez ele fosse embora, pra sempre. Eu não queria mais ver seu rosto. Por mais que o amasse, as lembranças como esta sempre o perseguiriam, nunca iria parar, eu teria que fugir dele, como ela fugiu. Mais isso nunca vai parar, ele vai achar mais uma. Quantas vezes desejei matá-lo. Talvez o mesmo tanto de vezes que desejei salva-lo. Ouvi-o sair do quarto, ir pra cozinha, se sentar. Será que ele não vai nem chamar uma ambulância? É isso que ele sempre faz, quando não chama o hospício, conselho tutelar, já me acusou de agressão e uso de drogas. Mal sabem eles. A única coisa que pensava agora, era nela. Será que ela está pensando em mim? Só queria que ela me ajudasse agora, não queria mais ver ninguém, queria me aninhar em seu braços como quando era pequena, e ouvi-la dizer que tudo iria ficar bem. Queria sentir o seu cheiro, tão familiar e suave, que sempre me acalmava. Queria chorar, até meu olhos doerem, mais eu estava seca, totalmente. A única coisa que sentia, era um enorme caroço na garganta. E o sangue nos meus lábios pequenos, e a dor fria e ardente se ele me presenteou. Senti-me sendo puxada, e mergulhei fundo e de bom grado a na nua inconsciência. A ultima coisa que ouvi foi seu grave e triste choro da cozinha.

Cadeia Alimentar


Atitudes e pensamentos pairam no ar, são tantos comportamentos diferentes para escolher. È algo simples, como a cadeia alimentar, se você está no topo, você mata todos que residem abaixo. E quanto mais baixo, menos você conseguiu matar.

Não há mistério algum, as criaturas do topo não as mais fortes, porém as mais fracas. Pois não conseguiram se encontrar, na verdade são extremamente assustadas consigo e a única coisa que as completa, é o poder, a atenção e, é claro, o topo. O caminho é árduo, começando apenas matando as criaturas “inferiores” mais próximas, subindo até o fim, quando você transforma a sua mais queria em mais distante, e a destrói, você finalmente conseguiu, não importa as crueldades, e as benevolências que você causou no caminho. O topo é tudo que mais importa, todos te invejam, pois você é o centro, e todos o temem.
Abaixo reside aquele mais fraco, porém não mais esperto. Talvez esteja só cercado de amor demais para subir e conseguir matar, mais lhe falta centro, caráter e senso para desistir, então eles matam quando ninguém mais está olhando, fogem dos mais poderosos e conseguem forjar um vitória quase inexistente. Mas você nunca desiste de chegar ao topo, só está esperando talvez um abandono, ou uma tristeza a mais.
No final, os mais assassinados, mais injustiçados e menos considerados. Estão os mais inteligentes, poderosos e indecifráveis, eles são bons, e nunca se destruiriam buscando topo, preferem morrer a se render ao mundo decaindo cada vez mais, quando mais pessoas sobem na cadeia maldita. Param e levam com eles quem mais podem alcançar. Nunca desistiremos, pois ainda acreditamos que á salvação, mesmo que a maioria não acredite, eu acredito.