sexta-feira, 14 de maio de 2010
Liberdade
De te levar em minhas costas
Não vivo
Não faço mais minhas próprias escolhas
Tu sufocas-me
Olhe onde fui parar por sua influencia doentia?
Precisa deixar-me ir
Não posso continuar atada por seus conceitos.
Preciso sair da mercê de sua iminente destruição
Esqueça a idéia de devo cuidar de ti
Até o fim de seus dias
Precisa me deixar ir
Nunca eis de ser feliz assim
Se me ama, precisa deixar-me partir
Pare de pensar só em si mesmo
Pelo menos uma vez.
Verdade Inaceita
Na verdade você não sabe de nada, por que eu não tenho realmente certeza se existe algo comum em todo o meu ser.
Diga-me palavras mordazes, ainda pensando que sou infantil e imatura para me chatear com elas. Você viveu tempo demais, sabe mais do que eu, logicamente. Porém sou diferente, diferente de você.
Jogue mais na minha cara que meu lugar não é aqui, que eu me sentirei pior em lembrar que eu nunca realmente soube onde era o meu lugar.
Veja ás lágrimas escorem pelo meu rosto, e ache que um dia irei de agradecer-lhe por me dizer a verdade até então desconhecida. Dá-me até vontade de rir, como pode não enxergar o quanto realmente compreendo?
Mas é melhor assim, continue pensando que sou apenas sua sobrinha imatura e ingênua, a verdade é bem pior, e às vezes até eu me recuso a aceita-la.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Soneto da Solidão
Você percebe o quanto vaga
Procurando, sem saber o que
Sem rumo algum
Quando todas as manhãs se tornão iguais
E se acorda sempre sozinho
Imerso nas sombras e na tristeza
Da traição, de pessoas desleais
Confuso em suas próprias emoções
Ansiando por calor de outrem
Que não lhe pedisse condições
Somente vê, tudo foi em vão
Quanto já está preso entre as paredes
Na iminente solidão.
domingo, 9 de maio de 2010
O conto de Beatrice Greenaway
Era noite, a lua estava grande e perfeitamente redonda.
Olhei o lindo rosto a minha frente, Queixo quadrado, olhos verdes esmeralda, me encarando com ardente desejo, nariz reto e grossas sobrancelhas escuras. Alto, devia ter uns
Colei meu corpo ao seu tremendo falsamente.
- A noite está fria. Disse eu, mentindo claro, eu não sentia frio á séculos.
Ele fez menção de tirar o paletó, levantei a mão para impedi-lo.
- Não é preciso, você está quente o suficiente. Disse, deixando minhas palavras se tornarem eróticas com o duplo sentido. Ouvi seu batimento cardíaco aumentar e sua corrente sanguínea correr mais rápido o fazendo ficar impossivelmente ainda mais quente contra meu corpo frio.
O olhei, em seus olhos esmeralda, e vi seu rosto se nublar de desejo primitivo, eu sabia o que ele estava vendo. Uma mulher baixa, pequena, com olhos pálidos azuis quase prateados, longos cabelos ruivos ondulados e suaves, caindo até a cintura, emoldurando sensualmente o rosto pálido, perolado e gelado.
Ele se envergou, aproximando nossos rostos, diminuindo a distancia de nossos corpos, lentamente sem desviar o olhar do meu. Com os lábios quase roçando nos meus ele abaixou olhar para minha boca. Um sorriso brincou nos meus lábios, olhei sua expressão ansiosa uma ultima vez e passei para seus lábios cheios, que eram incrivelmente saborosos. O beijei lento e profundamente, o ouvi gemer e reprimi um sorriso. Humanos são fracos demais. Repousei minha duas mãos em seu peito musculoso e subi até seus ombros suavemente. Ele estremeceu e me apertou mais contra si. Subi um pouco mais até seu pescoço, sentindo a sua pulsação, cada vez mais rápida. Eu podia ouvir o som molhado da sua corrente sanguínea, quase irresistível demais. Interrompi o beijo e o puxei para baixo para encontrar meus lábios do seu pescoço quente. Ele não fez objeções e desceu suas mãos até minha cintura e o começo de meu quadril. Inalei o odor doce e inebriante do seu sangue, rosei os lábios levemente, senti as presas saírem como um instinto automático, e as afundei na veia mais visível.
O sangue saiu rápido e incrivelmente quente e doce, passando pela minha boca em um sabor inacreditavelmente delicioso e sensual. O ouvi gemer de prazer enquanto continuava sugando sua vida para mim. Não demorou muito até ele perder a consciência, senti seu corpo ceder e cair contra mim, não que seu peso posse um problema, o sustentei tranquilamente. Senti o sangue ficar mais grosso e vi que estava no fim, o final sempre era menos agradável. O deixei cair no chão, e sai recarregada para a noite fria e escura mais uma vez.
Espelho
Escondendo-me na minha própria miséria, tentando parecer sempre tão forte, mas escondendo a verdade de mim mesma. No fundo só sou confusa e desesperada, nunca sei o que quero realmente, tento forçar meu coração a agir do jeito que eu quero, e agora ele deve ter parado de funcionar, por que só sente saudade, mágoa e dor.
Nada restou do que um dia tive, minha base se desfez, minha fuga é somente não lembrar que um dia ela existiu, culpar a todos por me deixarem e tentar colocar o abandono e a raiva antes da tristeza e da consciência que ninguém um dia quis me magoar. No fundo eu sei que eles me amaram, me amam. Só não agiram certo com eles mesmos, arrancaram-me o coração sem nem notar, não que eu mostrasse isso a eles.
Às vezes ainda lembro como chorar e me afogar em minha própria alto-piedade, entrar em um buraco e ninguém nunca mais me achar. Afogando-me no conhecimento de um mundo do qual não aprovo, quando mais sei, mais custo a entender a humanidade desumana e doente. Sofro pelas pessoas com fome, e peno pelas ignorantes, mas antes, sinto apenas inveja de sua crescente escuridão, tudo tão fácil e certo, sem nem idéia do quão superficial e podre se tornou.
Hoje olho no espelho que tento encontrar os traços que tive há 2 anos, o sorriso de quem acha saber-tudo-nessa-vida nos lábios rosa claro, e os olhos semi serrados com um ar zombeteiro como se soubesse uma piada que ninguém mais sabia.
Mas nada restou dela. Agora são somente olhos castanhos opacos, com tamanha tristeza e solidão que ninguém reconheceu. E os lábios mais escuros que antes, com um esboço de sorriso forçado. Nunca mais serei a mesma, o conhecimento me matou, a traição e o abandono me enterram. Ninguém mais poderá me ressuscitar, viverei morta o resto dos dias que meu corpo aguentar na terra, por que minha alma se foi.
Mentiras, mentiras.
Olhos claros e frios, semblante repleto cólera e tão severo, assim o via, desde o primeiro momento que soube, que ele a tiraria de mim, desde a frase maldita naquela tarde fria de um dia comum, em nossa casa comum. “Vamos nos casar” Eu soube desde deste dia, que ele iria tirara-la de mim. E assim foi, cada dia me fazendo parecer má, como uma criança boba e fútil, descontrolada rebelde, caindo em cada armadilha, confusa e desorientada, ela foi se afastando, cada dia mais, nossa relação não era mais, terna, melhor amiga, irmã, mãe filha eterna. Era grosseiro, distante, frio e mal.
Morrendo cada dia um pouco, eu não a conhecia mais. Triste fim. Ele a levou embora, eu estava magoada demais para notar seu triunfo iminente, magoada e abandonada, acreditei quando ela me prometeu que voltaria logo, esperei, estou esperando-a. Cada dia vira uma tortura, de confusão e saudade, dói como se faltasse algo, algo grande que me preenchia completamente, não estamos mais juntas, era como um laço invisível que nos ligava perante a eternidade que ele partiu, em poucos meses. Como um dia pode ter passado por minha cabeça que eu viveria sem ela, sem seu colo macio e seu cheiro familiar, sem olhar pro seus olhos redondos e seus lindos cachos que sempre invejei? Como pensei que viveria um dia sem chorar em seu ombro e ter seu carinho quando eu ficava doente, era como se seu amor por mim vazasse em uma energia que passava dela pra mim, me aquecendo quando me sentia fria. Agora todos os dias são tristes, frios e longos demais. Ela prometeu que voltaria, prometeu a mim, mais não voltou ainda. Passado minha eternidade, e sinto cada fez mais fria, meus dedos dormentes na selva confusa de egoísmo e sociedade cruel, mais sozinha. Espere, ela disse que agora voltaria dessa vez é verdade eu sei que é, sei que ela também quer estar aqui, eu sinto posso ver em sua voz, ela sente minha falta também, tem que sentir se não, não viverei. Ela prometeu como sempre promete, mais ela não volta, nunca voltará, não sente minha falta, ela mentiu. Ela sempre mentiu? Por que mentir pra mim? Eu sempre achei que mentir fosse a pior coisa a se fazer a alguém, por que descobrir uma mentira dói tanto, mais do que um corte, um tiro, um soco. Quase como um órgão arrancado, mais o meu se fora a tanto tempo que me pergunto como ainda dói. È como se arranhassem mais o buraco que jazia o meu coração. Por que insistir em alimentar a mentira? Diga-me a verdade, por mais dura que seja não ligarei de não ser mais enganada por você, só quero saber por que não está aqui, por que me abandonou tão cruelmente, as pessoas comigo não entendem, nem eu, o que fiz de tão mal para deixar merecer seu amor, e sua companhia? Qual foi o maldito erro fatal? Eu o repararei, mesmo que dê minha vida, daria tudo para que volte. Preciso de você, nunca precisarei de mais ninguém, de mais nada pra viver, mais do que meu próprio ar a para respirar.
Se não pude acreditar dela, em quem acreditarei então? Acreditarei em quem? Não ligo mais, de quem mais precisarei? Estou bem assim, sem nada.