domingo, 9 de maio de 2010

Espelho

Escondendo-me na minha própria miséria, tentando parecer sempre tão forte, mas escondendo a verdade de mim mesma. No fundo só sou confusa e desesperada, nunca sei o que quero realmente, tento forçar meu coração a agir do jeito que eu quero, e agora ele deve ter parado de funcionar, por que só sente saudade, mágoa e dor.

Nada restou do que um dia tive, minha base se desfez, minha fuga é somente não lembrar que um dia ela existiu, culpar a todos por me deixarem e tentar colocar o abandono e a raiva antes da tristeza e da consciência que ninguém um dia quis me magoar. No fundo eu sei que eles me amaram, me amam. Só não agiram certo com eles mesmos, arrancaram-me o coração sem nem notar, não que eu mostrasse isso a eles.

Às vezes ainda lembro como chorar e me afogar em minha própria alto-piedade, entrar em um buraco e ninguém nunca mais me achar. Afogando-me no conhecimento de um mundo do qual não aprovo, quando mais sei, mais custo a entender a humanidade desumana e doente. Sofro pelas pessoas com fome, e peno pelas ignorantes, mas antes, sinto apenas inveja de sua crescente escuridão, tudo tão fácil e certo, sem nem idéia do quão superficial e podre se tornou.

Hoje olho no espelho que tento encontrar os traços que tive há 2 anos, o sorriso de quem acha saber-tudo-nessa-vida nos lábios rosa claro, e os olhos semi serrados com um ar zombeteiro como se soubesse uma piada que ninguém mais sabia.
Mas nada restou dela. Agora são somente olhos castanhos opacos, com tamanha tristeza e solidão que ninguém reconheceu. E os lábios mais escuros que antes, com um esboço de sorriso forçado. Nunca mais serei a mesma, o conhecimento me matou, a traição e o abandono me enterram. Ninguém mais poderá me ressuscitar, viverei morta o resto dos dias que meu corpo aguentar na terra, por que minha alma se foi.

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